24 de julho de 2008

“Tudo se esvai, tudo é passageiro, menos a saudade.

Passa a vida por entre nossas mãos como se fosse um sorriso se apagando, sem que sequer tomemos conta desta transitoriedade.
A beleza da rosa, em sua inteira exuberância, é efêmera na sua duração.
Opiniões são modificadas, pareceres são desmentidos, passam a tristeza e
a felicidade; a glória e o esquecimento; o considerável e o insignificante.
A saudade, não: essa fica conosco.
Aumenta e diminui, alarga-se e estreita-se, inquieta-se e metamorfoseia-se, mas permanece.
Não permanece em constante sofrimento; gradativa e inexoravelmente ela vai se transformando em uma doce lembrança, em um vago sentimento de carinho – sentimento esse que nos acompanha até o fim.

Essa saudade, agora, é algo de bom que me acontece.

Penso: não me restasse agora essa saudade meiga, o que é que teria acontecido antes disso?

Sim, porque se existe a nostalgia, houve um sentimento antes disso
– um amor, uma paixão, uma amizade -, o qual vale a pena que seja relembrado e mantido para sempre”.