10 de março de 2009

SONETO DA LUA

Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas, e sem fim

Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim Impuro, como o bem que está nos puros ?
Que paixão fez-te os lábios tão maduros Num rosto como o teu criança assim

Quem te criou tão boa para o ruim E tão fatal para os meus versos duros?
Fugaz, com que direito tens-me pressa A alma, que por ti soluça nua E não és Tatiana e nem Teresa:
E és tão pouco a mulher que anda na ruaVagabunda, patética e indefesa

Ó minha branca e pequenina lua!
(Vinicius de Moraes)

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